O “fornicanço” da ADD é tanto e tão pouco que já se justifica uma edição especial do KamaSutra: “KamaSutra da Avaliação”. Neste artigo, proponho alguns preliminares para quem se quiser prestar tão honroso serviço ao país.
Como a matéria é tão vasta quão promíscua, sugiro que a edição seja feita em vários tomos para, pelo menos aí, as c
oisas não estarem tão “ao molho e fé em Zeus”. Assim sendo e posto isto e tal e coisa, vejamos a minha proposta:
TOMO I – Da Homossexualidade (avaliação interpares);
TOMO II – Do Adultério (avaliação de colegas de outros grupos);
TOMO III – Do Incesto (avaliação de parentes e amigos de longa data);
TOMO IV – Do Sadomasoquismo (para as vingançazinhas de estimação);
TOMO V – Do Onanismo (para relatores que se levam a sério);
TOMO VI – Do Voyeurismo (para directores que gostam de ficar a ver);
TOMO VII – Dos Fetiches (para directores que gostam de RAA nos trinques);
TOMO VIII – Da Pedofilia (para quem se aproveita dos neófitos);
TOMO IX – Da Concubinagem (para quem favorece a sua freguesia afectiva);
TOMO X – Do Proxenetismo (para o Ministério da Educação).
Bom, já estou cansado! Fico por aqui! Não TOMO mais!
Um criado ao vosso dispor.
Luís Costa
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sábado, 9 de julho de 2011
segunda-feira, 16 de março de 2009
PARÁBOLA DO PROFESSOR
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?
André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão: -- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se: Há fórmulas, vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se: eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.
... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Motivos para os Senhores Deputados votarem a suspensão deste modelo de avaliação
A Senhora Ministra já considerou burocrático e injusto o modelo de avaliação que teima em aplicar aos professores para tentar salvar a face. Se compararmos as duas simplificações criadas pela ministra com o Estatuto da Carreira Docente aprovado pela Assembleia da República, vemos que nada têm a ver. Será que em Democracia uma Ministra tem o poder de alterar Leis aprovadas pela Assembleia da República? Será que os professores merecem ser tratados como cobaias e prejudicados na sua carreira pelo capricho de uma Ministra?
As razões para inviabilizar este modelo de avaliação no dia 8 de Janeiro, mesmo com as simplificações, são as seguintes:
a) Se vários docentes reunirem condições para obterem "Excelente" e só um puder ter, os outros são vítimas de injustiça não só na sua progressão, mas também para efeitos de concurso e de colocação.
b) Há critérios diferentes de escola para escola: em algumas escolas poderá ser muito mais fácil obter "Excelente" do que noutras, o que vai criar injustiças nos concursos a nível nacional.
c) É um modelo que fomenta os compadrios.
d) Mesmo que um professor obtenha sempre "Excelente", se não existirem vagas para passar a titular ficará impedido de progredir.
e) Para quê insistir num modelo remendado, se a senhora Ministra já referiu que no próximo ano haverá outro? Quem lucrará com a instabilidade que se vive na escola pública?
f) Se nos Açores não há a categoria de Professor titular e os avaliadores são eleitos entre os seus pares, por que existem titulares no Continente?
g) Suspender o Modelo de Avaliação seria dar a mão à senhora Ministra que assim salvaria a face, deixando cair este modelo importado do Chile por imposição do parlamento e não dos sindicatos.
h) Criar um clima favorável à discussão de um novo aceite pelas partes.
i) É urgente rever o Estatuto da Carreira Docente, pois o modelo simplificado nada tem a ver com essa Lei aprovada pela Assembleia da República.
j) A disciplina partidária que impede os Deputados de votarem livremente é uma violação da democracia.
k) Os professores são pessoas e não cobaias nem armas de luta política.
Uma sociedade que não valoriza os professores é uma sociedade que caminha para a autodestruição.
As razões para inviabilizar este modelo de avaliação no dia 8 de Janeiro, mesmo com as simplificações, são as seguintes:
a) Se vários docentes reunirem condições para obterem "Excelente" e só um puder ter, os outros são vítimas de injustiça não só na sua progressão, mas também para efeitos de concurso e de colocação.
b) Há critérios diferentes de escola para escola: em algumas escolas poderá ser muito mais fácil obter "Excelente" do que noutras, o que vai criar injustiças nos concursos a nível nacional.
c) É um modelo que fomenta os compadrios.
d) Mesmo que um professor obtenha sempre "Excelente", se não existirem vagas para passar a titular ficará impedido de progredir.
e) Para quê insistir num modelo remendado, se a senhora Ministra já referiu que no próximo ano haverá outro? Quem lucrará com a instabilidade que se vive na escola pública?
f) Se nos Açores não há a categoria de Professor titular e os avaliadores são eleitos entre os seus pares, por que existem titulares no Continente?
g) Suspender o Modelo de Avaliação seria dar a mão à senhora Ministra que assim salvaria a face, deixando cair este modelo importado do Chile por imposição do parlamento e não dos sindicatos.
h) Criar um clima favorável à discussão de um novo aceite pelas partes.
i) É urgente rever o Estatuto da Carreira Docente, pois o modelo simplificado nada tem a ver com essa Lei aprovada pela Assembleia da República.
j) A disciplina partidária que impede os Deputados de votarem livremente é uma violação da democracia.
k) Os professores são pessoas e não cobaias nem armas de luta política.
Uma sociedade que não valoriza os professores é uma sociedade que caminha para a autodestruição.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira na Educação
Carlos Ceia 2008-11-10
Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?
Porque foi que cegou a Ministra da Educação, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegou, penso que está cega, Cega que vê, Cega que, vendo, não vê.
- Reescrita livre de um passo de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Tentei compreender o que se está a passar no meu país ferido, fui à maior manifestação de sempre na história da educação portuguesa, na condição de professor apenas, sem olhar a estatutos, e sem ir a mando de ninguém a não ser da minha consciência cívica, mesmo que aparentemente esta não seja a minha guerra.
Um cego humilde, mesmo que não quisesse ver podendo ver, demitir-se-ia e pediria desculpa por se ter enganado num modelo de avaliação que tinha por justo, mas que se revelou, nas suas primeiras experiências práticas, um desastre nacional. O cego continua a não querer ver o que vi com os meus próprios olhos e que ele(a) podia também ter visto, se tivesse amor verdadeiro à causa que jurou defender. Assisti, incrédulo, às diversas explicações da Ministra - cega que, vendo, não vê -, dizendo, em delírio mental, que o que via era uma conjuração sindicalista de professores manipuladores sobre professores manipulados. Nenhum professor rejeita a avaliação, mas o discurso do(a) cego(a) que vê e não quer ver aponta sempre o mesmo dedo à falsa repulsa pela avaliação. Esse cego diz que as escolas estão, nesta data, a proceder à avaliação com normalidade, porém há registo de mais de 1500 escolas a contestarem formal e informalmente um modelo que promove a injustiça, a imparcialidade e a divisão.
Diz o(a) cego(a) que os professores só têm de se preocupar com uma ficha de objectivos, por isso não vê como se podem queixar de sobrecarga de actos administrativos. O mérito que se lhe pode reconhecer é o de ter criado um sistema de avaliação que nem no mais complexo processo de Bolonha no mais complexo sistema universitário alguma vez se viu. A ficha única da mentira do(a) cego(a) é uma sinédoque para dizer que, na prática, estamos a falar da elaboração de documentos e respectivas fichas de registo de competências, grelhas de análise e avaliação, porta-fólios, guiões de objectivos individuais, de auto-avaliação, correcção de testes, de trabalhos individuais e de grupo, trabalhos de casa, produção de fichas informativas e formativas, elaboração de fichas de avaliação formativa e sumativa, reuniões intermináveis e inconsequentes, etc. O que fica de fora - a preparação das aulas, a auto-reflexão sobre o que se ensina - é o que mais devia ocupar o professor. A responsabilidade da criação deste professor-escrivão é da Ministra, porque todos os professores se formaram para serem sobretudo educadores e oleiros do conhecimento.
A actual Escola Pública está mais inclinada do que a Capela de Suurhusen: a opção por aulas de substituição está errada, se se obriga um professor de Filosofia, por exemplo, a substituir um professor de Matemática; a introdução do Inglês no 1.º ciclo está errada, se os professores forem subcontratados no mercado livre, sem habilitações adequadas e ensinando um currículo descontextualizado do programa nacional; a promoção do computador Magalhães está errada, se se pede aos professores do Ensino Básico que sirvam de vendedores de propaganda informática, pois são eles que tratam de todos os pormenores da venda do Magalhães, quando deviam estar ocupados a pensar na melhor forma de o usar nas suas aulas; os critérios que nortearam o primeiro concurso de acesso a professor titular estão errados, se valorizam apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da competência pedagógica, científica ou técnica desses professores; a avaliação do desempenho está errada, se estiver condicionada a parâmetros como o sucesso, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos (se se queria um modelo alternativo que não envolvesse uma correlação falsa - sucesso escolar dos estudantes = sucesso profissional dos docentes -, então recorria-se ao actual modelo das universidades portuguesas que fazem inquéritos anónimos anuais aos estudantes, por cada disciplina, e, nos casos em que se detectam problemas denunciados pelos estudantes, os professores em causa são convidados, construtivamente, a corrigir o que estiver mal, sem que com isso estejam a comprometer a sua avaliação profissional); se se constrói um modelo de avaliação em que é possível delegar competências, não se faz tábua rasa do código administrativo e se inclui subtilmente num Orçamento de Estado uma correcção duvidosa para legitimar essa delegação de competências; se queremos melhores professores, não se publica uma lei como o Decreto-Lei n.º 43/2007, que promove a iniquidade da formação de base, excluindo arbitrariamente uns licenciados e protegendo outros, sem que ninguém entenda a filosofia do legislador; se se quer promover a avaliação entre pares respeitar a hierarquia das habilitações académicas adquiridas, e não se monta um sistema em que um docente com o grau de doutor ou de mestre pode ser avaliado por docentes com o grau de licenciado; em vez de promover a aquisição de uma maior qualificação dos professores, embora se anuncie isso hipocritamente, não se publica uma Portaria como a n.º 344/2008, que privilegia a aquisição de mestrados e doutoramentos em Ciências da Educação como habilitação adequada a quem se exige que demonstre depois um desempenho excepcional em termos científicos na sua área de especialidade.
Testemunho de um professor: "Por obra e graça do famoso concurso que distingue os melhores e mais experientes, acedi à categoria (?) de titular (de quê não sei). Sou o professor mais novo (na escola, idade, escalão e tempo de serviço) do meu grupo. Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?
Carlos Ceia 2008-11-10
Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?
Porque foi que cegou a Ministra da Educação, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegou, penso que está cega, Cega que vê, Cega que, vendo, não vê.
- Reescrita livre de um passo de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Tentei compreender o que se está a passar no meu país ferido, fui à maior manifestação de sempre na história da educação portuguesa, na condição de professor apenas, sem olhar a estatutos, e sem ir a mando de ninguém a não ser da minha consciência cívica, mesmo que aparentemente esta não seja a minha guerra.
Um cego humilde, mesmo que não quisesse ver podendo ver, demitir-se-ia e pediria desculpa por se ter enganado num modelo de avaliação que tinha por justo, mas que se revelou, nas suas primeiras experiências práticas, um desastre nacional. O cego continua a não querer ver o que vi com os meus próprios olhos e que ele(a) podia também ter visto, se tivesse amor verdadeiro à causa que jurou defender. Assisti, incrédulo, às diversas explicações da Ministra - cega que, vendo, não vê -, dizendo, em delírio mental, que o que via era uma conjuração sindicalista de professores manipuladores sobre professores manipulados. Nenhum professor rejeita a avaliação, mas o discurso do(a) cego(a) que vê e não quer ver aponta sempre o mesmo dedo à falsa repulsa pela avaliação. Esse cego diz que as escolas estão, nesta data, a proceder à avaliação com normalidade, porém há registo de mais de 1500 escolas a contestarem formal e informalmente um modelo que promove a injustiça, a imparcialidade e a divisão.
Diz o(a) cego(a) que os professores só têm de se preocupar com uma ficha de objectivos, por isso não vê como se podem queixar de sobrecarga de actos administrativos. O mérito que se lhe pode reconhecer é o de ter criado um sistema de avaliação que nem no mais complexo processo de Bolonha no mais complexo sistema universitário alguma vez se viu. A ficha única da mentira do(a) cego(a) é uma sinédoque para dizer que, na prática, estamos a falar da elaboração de documentos e respectivas fichas de registo de competências, grelhas de análise e avaliação, porta-fólios, guiões de objectivos individuais, de auto-avaliação, correcção de testes, de trabalhos individuais e de grupo, trabalhos de casa, produção de fichas informativas e formativas, elaboração de fichas de avaliação formativa e sumativa, reuniões intermináveis e inconsequentes, etc. O que fica de fora - a preparação das aulas, a auto-reflexão sobre o que se ensina - é o que mais devia ocupar o professor. A responsabilidade da criação deste professor-escrivão é da Ministra, porque todos os professores se formaram para serem sobretudo educadores e oleiros do conhecimento.
A actual Escola Pública está mais inclinada do que a Capela de Suurhusen: a opção por aulas de substituição está errada, se se obriga um professor de Filosofia, por exemplo, a substituir um professor de Matemática; a introdução do Inglês no 1.º ciclo está errada, se os professores forem subcontratados no mercado livre, sem habilitações adequadas e ensinando um currículo descontextualizado do programa nacional; a promoção do computador Magalhães está errada, se se pede aos professores do Ensino Básico que sirvam de vendedores de propaganda informática, pois são eles que tratam de todos os pormenores da venda do Magalhães, quando deviam estar ocupados a pensar na melhor forma de o usar nas suas aulas; os critérios que nortearam o primeiro concurso de acesso a professor titular estão errados, se valorizam apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da competência pedagógica, científica ou técnica desses professores; a avaliação do desempenho está errada, se estiver condicionada a parâmetros como o sucesso, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos (se se queria um modelo alternativo que não envolvesse uma correlação falsa - sucesso escolar dos estudantes = sucesso profissional dos docentes -, então recorria-se ao actual modelo das universidades portuguesas que fazem inquéritos anónimos anuais aos estudantes, por cada disciplina, e, nos casos em que se detectam problemas denunciados pelos estudantes, os professores em causa são convidados, construtivamente, a corrigir o que estiver mal, sem que com isso estejam a comprometer a sua avaliação profissional); se se constrói um modelo de avaliação em que é possível delegar competências, não se faz tábua rasa do código administrativo e se inclui subtilmente num Orçamento de Estado uma correcção duvidosa para legitimar essa delegação de competências; se queremos melhores professores, não se publica uma lei como o Decreto-Lei n.º 43/2007, que promove a iniquidade da formação de base, excluindo arbitrariamente uns licenciados e protegendo outros, sem que ninguém entenda a filosofia do legislador; se se quer promover a avaliação entre pares respeitar a hierarquia das habilitações académicas adquiridas, e não se monta um sistema em que um docente com o grau de doutor ou de mestre pode ser avaliado por docentes com o grau de licenciado; em vez de promover a aquisição de uma maior qualificação dos professores, embora se anuncie isso hipocritamente, não se publica uma Portaria como a n.º 344/2008, que privilegia a aquisição de mestrados e doutoramentos em Ciências da Educação como habilitação adequada a quem se exige que demonstre depois um desempenho excepcional em termos científicos na sua área de especialidade.
Testemunho de um professor: "Por obra e graça do famoso concurso que distingue os melhores e mais experientes, acedi à categoria (?) de titular (de quê não sei). Sou o professor mais novo (na escola, idade, escalão e tempo de serviço) do meu grupo. Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?
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domingo, 26 de outubro de 2008
Mais injustiças na avaliação dos professores
Na avaliação dos professores, com as delegações arbitrárias em que há avaliadores titulares e não titulares a avaliar professores que concorrem para as mesmas vagas para as classificações de “Excelente” e de “Muito Bom” (que não contam só para efeitos de progressão, mas também de colocação), não estou a ver nenhum a avaliador por delegação a atribuir as melhores classificações aos seus avaliados, pois estaria a ocupar a vaga que poderia ser para si. Era o mesmo que ser o senhor José Sócrates a escolher quem seria o próximo Primeiro-Ministro, sendo ele também um candidato. Avaliar os professores pelo abandono, seria o mesmo que avaliar os médicos pelas pessoas que falecem nos hospitais. Trata-se de um modelo tão injusto e ineficaz que só quem não está por dentro do seu funcionamento é que pode aceitá-lo.
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domingo, 13 de abril de 2008
Uma batalha apenas

Na madrugada do dia 12 de Abril, conseguimos uma vitória, mas foi apenas numa batalha. Mais de cem mil vozes começaram a ser ouvidas. Valeu a pena deixarmos de corrigir os testes e afastarmo-nos da família por um dia para nos juntarmos e mostrarmos que nos sentíamos indignados por sermos tão maltratados pelo Ministério.
Inicialmente, todos os professores tinham de ser avaliados ainda este ano em duas aulas assistidas. Depois, já não havia aulas assistidas, porque os titulares não teriam tempo de dar as suas aulas e de assistir às dos “colegas” avaliados. Depois eram só os contratados e os que mudavam de escalão a serem avaliados, segundo os critérios de cada escola. Finalmente, esses professores serão avaliados pelos mesmos indicadores em todo o país. Analisando esses critérios, concluímos que são os mesmos que já existiam e que este governo suspendeu, porque congelou o tempo de serviço e as carreiras. É verdade, quem suspendeu a avaliação dos professores para depois dizer que não existia foi este governo.
No entanto, só vencemos uma batalha que só terá reflexo neste ano lectivo, ainda há um longo caminho a percorrer, pois ainda temos de conseguir ganhar a guerra das mudanças para o futuro, negociando os seguintes pontos:
1.º Acabar com a distinção das categorias na carreira;
2.º Repor a democracia nas escolas;
3.º Impedir que o abandono escolar conte para a avaliação dos professores;
4.º Aproveitar o acordo para impor este modelo de avaliação simplificada e menos burocrática a todos os professores nos próximos anos;
5.º Voltar a ser concedido tempo aos professores para planificarem e prepararem aulas, elaborarem e corrigirem testes, fazerem relatórios e prepararem actividades, analisarem e seleccionarem manuais, participarem em reuniões e fazerem formação;
6.º A supervisão de aulas deverá ser só em casos pontuais;
7.º Os resultados da avaliação dos alunos não devem influenciar negativamente a avaliação dos professores, porque a “matéria-prima” não é idêntica;
8.º A diminuição do número máximo de alunos por turma para 25, numa primeira fase;
9.º A devolução do tempo de serviço efectivamente prestado para efeitos de progressão na carreira;
10.º O mesmo tratamento para correctores de exames nacionais do 3º ciclo e do secundário;
11.º A distinção clara no Estatuto do Aluno entre faltas justificadas e injustificadas.
Se conseguirmos acordo em 6 destes 10 pontos já será uma negociação positiva. Caso contrário, o ministério vencerá. Para conseguirmos uma vitória clara, temos de explicar bem aos portugueses que o passo dado foi só para este ano lectivo e que a luta continuará para que o modelo, que o ministério e sindicatos concordaram que era justo para os contratados seja adoptado para todos os docentes, nos próximos anos. O Ministério foi ardiloso ao fazer o acordo só para este ano, acabando com a contestação, porque a partir de agora a opinião pública não perceberá os motivos que levarão os professores a continuar a lutar, se o ministério já cedeu. Devemos aproveitar esta vitória como motivação para as futuras lutas e explicar muito bem a todos que o entendimento alcançado foi só para este ano lectivo.
Neste jogo de xadrez, temos de nos lembrar de que ainda só conseguimos pôr o rei em xeque, de que este jogo só se ganha com xeque-mate e de que o adversário fez uma boa jogada para o evitar, lançando-nos o isco... Cabe-nos fazer a próxima jogada.
salvarescola@gmail.com
Inicialmente, todos os professores tinham de ser avaliados ainda este ano em duas aulas assistidas. Depois, já não havia aulas assistidas, porque os titulares não teriam tempo de dar as suas aulas e de assistir às dos “colegas” avaliados. Depois eram só os contratados e os que mudavam de escalão a serem avaliados, segundo os critérios de cada escola. Finalmente, esses professores serão avaliados pelos mesmos indicadores em todo o país. Analisando esses critérios, concluímos que são os mesmos que já existiam e que este governo suspendeu, porque congelou o tempo de serviço e as carreiras. É verdade, quem suspendeu a avaliação dos professores para depois dizer que não existia foi este governo.
No entanto, só vencemos uma batalha que só terá reflexo neste ano lectivo, ainda há um longo caminho a percorrer, pois ainda temos de conseguir ganhar a guerra das mudanças para o futuro, negociando os seguintes pontos:
1.º Acabar com a distinção das categorias na carreira;
2.º Repor a democracia nas escolas;
3.º Impedir que o abandono escolar conte para a avaliação dos professores;
4.º Aproveitar o acordo para impor este modelo de avaliação simplificada e menos burocrática a todos os professores nos próximos anos;
5.º Voltar a ser concedido tempo aos professores para planificarem e prepararem aulas, elaborarem e corrigirem testes, fazerem relatórios e prepararem actividades, analisarem e seleccionarem manuais, participarem em reuniões e fazerem formação;
6.º A supervisão de aulas deverá ser só em casos pontuais;
7.º Os resultados da avaliação dos alunos não devem influenciar negativamente a avaliação dos professores, porque a “matéria-prima” não é idêntica;
8.º A diminuição do número máximo de alunos por turma para 25, numa primeira fase;
9.º A devolução do tempo de serviço efectivamente prestado para efeitos de progressão na carreira;
10.º O mesmo tratamento para correctores de exames nacionais do 3º ciclo e do secundário;
11.º A distinção clara no Estatuto do Aluno entre faltas justificadas e injustificadas.
Se conseguirmos acordo em 6 destes 10 pontos já será uma negociação positiva. Caso contrário, o ministério vencerá. Para conseguirmos uma vitória clara, temos de explicar bem aos portugueses que o passo dado foi só para este ano lectivo e que a luta continuará para que o modelo, que o ministério e sindicatos concordaram que era justo para os contratados seja adoptado para todos os docentes, nos próximos anos. O Ministério foi ardiloso ao fazer o acordo só para este ano, acabando com a contestação, porque a partir de agora a opinião pública não perceberá os motivos que levarão os professores a continuar a lutar, se o ministério já cedeu. Devemos aproveitar esta vitória como motivação para as futuras lutas e explicar muito bem a todos que o entendimento alcançado foi só para este ano lectivo.
Neste jogo de xadrez, temos de nos lembrar de que ainda só conseguimos pôr o rei em xeque, de que este jogo só se ganha com xeque-mate e de que o adversário fez uma boa jogada para o evitar, lançando-nos o isco... Cabe-nos fazer a próxima jogada.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A Avaliação dos Professores
Avaliação dos Professores
Tem-se falado muito e mal da avaliação dos professores. Nota-se que pouca gente sabe do que se trata na realidade.
Para defender o ponto de vista do governo, diz-se que não havia até agora… O que não é de todo verdade. Até agora, os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam “Satisfaz”. Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de “Não Satisfaz”. Para obter a classificação de “Bom” e de “Muito Bom” teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação, ao contrário do que o Primeiro-Ministro defende ao tentar, mais uma vez, enganar os portugueses, tentando colocá-los contra os “professorzecos” (como a Ministra da Educação os apelida no Parlamento). O Primeiro-Ministro podia dizer que não concordava com ele, mas não pode continuar a mentir, dizendo que não havia.
Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. Todos reconhecem que não é um modelo perfeito, mas acham que mais vale um modelo imperfeito, subjectivo e injusto do que dialogar com os professores até se criar uma avaliação justa. Defendem que num país em que reina a injustiça não vale a pena avaliar os professores com equidade e justiça.
É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:
1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);
2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;
3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;
4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;
5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;
6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;
7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;
8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;
9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;
10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;
11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;
12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;
13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;
14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;
15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!
16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados…
17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);
18.º Não vale a pena ter “excelente” ou “muito bom”, porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;
19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações “Regulares”;
20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!
21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.
O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:
a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os “professorzecos”;
b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um “ruidoso” silêncio sepulcral na sala de professores;
c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;
d) Estão todos desmotivados;
e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;
f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.
Se nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas.
Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito à indignação.
Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles “professorzeco”, como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio, porque eu sei desde muito novo que os Açores fazem parte da República Portuguesa.
Já que a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação. Será que ainda há força para lutarmos unidos?
Jorge Almeida
Tem-se falado muito e mal da avaliação dos professores. Nota-se que pouca gente sabe do que se trata na realidade.
Para defender o ponto de vista do governo, diz-se que não havia até agora… O que não é de todo verdade. Até agora, os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam “Satisfaz”. Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de “Não Satisfaz”. Para obter a classificação de “Bom” e de “Muito Bom” teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação, ao contrário do que o Primeiro-Ministro defende ao tentar, mais uma vez, enganar os portugueses, tentando colocá-los contra os “professorzecos” (como a Ministra da Educação os apelida no Parlamento). O Primeiro-Ministro podia dizer que não concordava com ele, mas não pode continuar a mentir, dizendo que não havia.
Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. Todos reconhecem que não é um modelo perfeito, mas acham que mais vale um modelo imperfeito, subjectivo e injusto do que dialogar com os professores até se criar uma avaliação justa. Defendem que num país em que reina a injustiça não vale a pena avaliar os professores com equidade e justiça.
É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:
1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);
2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;
3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;
4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;
5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;
6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;
7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;
8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;
9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;
10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;
11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;
12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;
13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;
14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;
15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!
16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados…
17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);
18.º Não vale a pena ter “excelente” ou “muito bom”, porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;
19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações “Regulares”;
20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!
21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.
O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:
a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os “professorzecos”;
b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um “ruidoso” silêncio sepulcral na sala de professores;
c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;
d) Estão todos desmotivados;
e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;
f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.
Se nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas.
Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito à indignação.
Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles “professorzeco”, como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio, porque eu sei desde muito novo que os Açores fazem parte da República Portuguesa.
Já que a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação. Será que ainda há força para lutarmos unidos?
Jorge Almeida
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Não há presépio este Natal
Este ano não vai haver presépio!...
-O menino passa todo o tempo na escola.
- O burro foi dar aulas de substituição.
- A vaca foi para o ministério.
- Nossa Senhora e S. José estão a avaliar o burro.
- Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura.
- Os camelos estão no governo.
- Os cordeirinhos andam tresmalhados.
- Até a estrelinha de 'Belém' perdeu o brilho...
-O menino passa todo o tempo na escola.
- O burro foi dar aulas de substituição.
- A vaca foi para o ministério.
- Nossa Senhora e S. José estão a avaliar o burro.
- Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura.
- Os camelos estão no governo.
- Os cordeirinhos andam tresmalhados.
- Até a estrelinha de 'Belém' perdeu o brilho...
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quarta-feira, 28 de março de 2007
Interrogações à Ministra da Educação
Segue-se uma lista de questões que ainda nenhum jornalista teve coragem de fazer à Srª. Ministra da DesEducação sobre o novo Estatuto da Carreira Docente:
1ª Qual foi a razão para escolher 18 anos de serviço para se chegar a professor titular? Por que motivo os professores titulares não serão escolhidos pelos membros do seu departamento, numa eleição democrática, com um mandato limitado, de modo a ser reconduzido ou não? Terá este governo medo da democracia? De acordo com o Estatuto da Ministra, o professor titular é escolhido num concurso exterior à escola e o seleccionado terá o cargo para sempre, seja competente nas novas funções ou não.
2ª Depois de haver um quadro completo de professores titulares e com a idade da reforma sempre a aumentar, os outros professores, que por falta de tempo de serviço não puderam concorrer ao primeiro concurso, nem que tenham sempre a classificação de “Excelente”, não poderão aceder a essa categoria por falta de vagas e estarão, possivelmente, a “rezar” para que o titular do seu departamento tenha uma doença que o impeça de coordenar as actividades. O que fará a Sr.ª Ministra para compensar esses professores condenados a “substitutos” por toda a vida?
3ª Uma vez que os professores serão avaliados pelo abandono escolar dos alunos, de que modo quer a Sr.ª Ministra que os docentes, que também têm dificuldades financeiras, dêem dinheiro às famílias para que elas mantenham os adolescentes num sistema de ensino que só é gratuito na Constituição? Um Governo, que se preocupa mais com os números do que com as pessoas, tem criado mais dificuldades às famílias, provocando o abandono escolar de que a Sr.ª Ministra responsabiliza os professores...
4ª Se os professores vão ser avaliados pelos resultados escolares dos alunos, não sendo masoquistas, os docentes vão avaliar positivamente todos os alunos, criando um sucesso artificial e desmotivador para aqueles bons alunos que, neste momento, ainda se aplicam. Para quando um ensino de qualidade e exigente para os discentes de modo a que eles não sejam aprovados só por se terem matriculado?
5ª Por que motivo é que a Sr.ª Ministra disse que os piores resultados dos Exames Nacionais do Ensino Básico são a Língua Portuguesa e a Matemática, quando só há exames a essas disciplinas e quando a maior parte dos alunos que acaba o terceiro ciclo não sabe escrever ou dizer uma frase completa em Inglês ou em Francês, uma vez que eles podem transitar com nível dois a várias disciplinas?
6ª Serão os professores de Língua Portuguesa e de Matemática também avaliados pelos resultados dos seus alunos nos Exames Nacionais e os docentes das outras disciplinas só pelos níveis que atribuem, pois as suas disciplinas não são alvo de Exames Nacionais?
7ª Quando é que a Sr.ª Ministra se preocupará verdadeiramente com um ensino de qualidade e mostrará capacidade para reduzir o número máximo de alunos por turma? Em consciência, como é possível que um docente consiga, em noventa minutos de aula, diversificar as estratégias de modo a que os 28 alunos consigam ter realmente sucesso? O sucesso não deveria ser também nas aprendizagens e não só nas estatísticas?
8ª A supervisão de aulas não será uma forma de retirar a autoridade do professor (tantas vezes posta em causa pela Ministra) perante os alunos na sala de aula?
9ª Com um sistema de avaliação por quotas, como é que a Sr.ª Ministra deseja que os professores partilhem materiais, estratégias e experiências com colegas que os podem ultrapassar? Haverá imensos conflitos entre professores, os Conselhos de Turma servirão apenas para o lançamento de níveis positivos, sem que os professores conversem entre si para resolver os problemas dos alunos, como o faziam até aqui. É esta a escola que a Sr.ª Ministra quer? Possivelmente será, pois alguém que não sabe ouvir quem tem experiência no terreno, que não respeita a opinião dos outros, que decide de forma absolutista e anti-social, só pode querer uma escola em que os professores sejam todos egoístas e que não promovam a socialização dos seus alunos.
Seria bom ouvir a Sr.ª Ministra responder a alguma destas questões, mas como a sua preocupação é a de ser Ministra da Poupança e não da Educação, estará mais preocupada em saber como retirar mais dinheiro aos professores para o seu “chefe” poder comprar navios de guerra em segunda mão, criar uma linha de TGV para poupar 20 minutos numa viagem de Lisboa ao Porto e encomendar estudos a empresas de amigos, para que tenham os resultados que lhe interessam. A propósito do “chefe”, como são os professores que mais viajam nas auto-estradas e nas SCUT diariamente, fica também uma pergunta para ele:
Quando foi eleito, aumentou o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos, dizendo que era para suportar o custo das SCUT, agora, que vai criar portagens para as SCUT do Norte, também vai baixar esse Imposto?
1ª Qual foi a razão para escolher 18 anos de serviço para se chegar a professor titular? Por que motivo os professores titulares não serão escolhidos pelos membros do seu departamento, numa eleição democrática, com um mandato limitado, de modo a ser reconduzido ou não? Terá este governo medo da democracia? De acordo com o Estatuto da Ministra, o professor titular é escolhido num concurso exterior à escola e o seleccionado terá o cargo para sempre, seja competente nas novas funções ou não.
2ª Depois de haver um quadro completo de professores titulares e com a idade da reforma sempre a aumentar, os outros professores, que por falta de tempo de serviço não puderam concorrer ao primeiro concurso, nem que tenham sempre a classificação de “Excelente”, não poderão aceder a essa categoria por falta de vagas e estarão, possivelmente, a “rezar” para que o titular do seu departamento tenha uma doença que o impeça de coordenar as actividades. O que fará a Sr.ª Ministra para compensar esses professores condenados a “substitutos” por toda a vida?
3ª Uma vez que os professores serão avaliados pelo abandono escolar dos alunos, de que modo quer a Sr.ª Ministra que os docentes, que também têm dificuldades financeiras, dêem dinheiro às famílias para que elas mantenham os adolescentes num sistema de ensino que só é gratuito na Constituição? Um Governo, que se preocupa mais com os números do que com as pessoas, tem criado mais dificuldades às famílias, provocando o abandono escolar de que a Sr.ª Ministra responsabiliza os professores...
4ª Se os professores vão ser avaliados pelos resultados escolares dos alunos, não sendo masoquistas, os docentes vão avaliar positivamente todos os alunos, criando um sucesso artificial e desmotivador para aqueles bons alunos que, neste momento, ainda se aplicam. Para quando um ensino de qualidade e exigente para os discentes de modo a que eles não sejam aprovados só por se terem matriculado?
5ª Por que motivo é que a Sr.ª Ministra disse que os piores resultados dos Exames Nacionais do Ensino Básico são a Língua Portuguesa e a Matemática, quando só há exames a essas disciplinas e quando a maior parte dos alunos que acaba o terceiro ciclo não sabe escrever ou dizer uma frase completa em Inglês ou em Francês, uma vez que eles podem transitar com nível dois a várias disciplinas?
6ª Serão os professores de Língua Portuguesa e de Matemática também avaliados pelos resultados dos seus alunos nos Exames Nacionais e os docentes das outras disciplinas só pelos níveis que atribuem, pois as suas disciplinas não são alvo de Exames Nacionais?
7ª Quando é que a Sr.ª Ministra se preocupará verdadeiramente com um ensino de qualidade e mostrará capacidade para reduzir o número máximo de alunos por turma? Em consciência, como é possível que um docente consiga, em noventa minutos de aula, diversificar as estratégias de modo a que os 28 alunos consigam ter realmente sucesso? O sucesso não deveria ser também nas aprendizagens e não só nas estatísticas?
8ª A supervisão de aulas não será uma forma de retirar a autoridade do professor (tantas vezes posta em causa pela Ministra) perante os alunos na sala de aula?
9ª Com um sistema de avaliação por quotas, como é que a Sr.ª Ministra deseja que os professores partilhem materiais, estratégias e experiências com colegas que os podem ultrapassar? Haverá imensos conflitos entre professores, os Conselhos de Turma servirão apenas para o lançamento de níveis positivos, sem que os professores conversem entre si para resolver os problemas dos alunos, como o faziam até aqui. É esta a escola que a Sr.ª Ministra quer? Possivelmente será, pois alguém que não sabe ouvir quem tem experiência no terreno, que não respeita a opinião dos outros, que decide de forma absolutista e anti-social, só pode querer uma escola em que os professores sejam todos egoístas e que não promovam a socialização dos seus alunos.
Seria bom ouvir a Sr.ª Ministra responder a alguma destas questões, mas como a sua preocupação é a de ser Ministra da Poupança e não da Educação, estará mais preocupada em saber como retirar mais dinheiro aos professores para o seu “chefe” poder comprar navios de guerra em segunda mão, criar uma linha de TGV para poupar 20 minutos numa viagem de Lisboa ao Porto e encomendar estudos a empresas de amigos, para que tenham os resultados que lhe interessam. A propósito do “chefe”, como são os professores que mais viajam nas auto-estradas e nas SCUT diariamente, fica também uma pergunta para ele:
Quando foi eleito, aumentou o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos, dizendo que era para suportar o custo das SCUT, agora, que vai criar portagens para as SCUT do Norte, também vai baixar esse Imposto?

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quinta-feira, 22 de março de 2007
Passou-se numa Escola de Felgueiras
Depois da avaliação intercalar do segundo período, em Fevereiro, a Directora de Turma convocou, mais uma vez, a Encarregada de Educação de uma aluna que estava a ser sujeita a Plano de Recuperação por se encontrar em risco de retenção.
A Encarregada de Educação assustada por ter recebido mais uma carta registada da escola, passou pela Escola, quando lhe apeteceu e não na data da reunião para que tinha sido convocada. A Senhora chegou à escola e a Auxiliar da acção Educativa que estava na portaria perguntou-lhe qual era a turma da filha ou o nome da Directora de Turma. A Senhora disse que só sabia que a filha andava no oitavo ano. A dedicada funcionária perguntou-lhe o nome da filha e ela respondeu-lhe: "Sara". A funcionária foi aos livros de ponto do oitavo ano e não era nenhuma das "Saras" que apareciam nas listas. Depois da Encarregada de Educação ter conseguido a difícil tarefa de dizer o nome completo da filha, a paciente funcionária procurou também em todas as turmas do sétimo ano. Não conseguiu encontrar o nome da jovem!
"Será que a aluna frequentava mesmo aquela escola?" - interrogava-se a funcionária.
Começou então a procurar também nas listas das turmas do nono ano, até que, finalmente, apareceu o nome da dita aluna que frequentava o nono ano! A Encarregada de Educação ficou tão contente por descobrir que a sua filha frequentava o nono ano, que já não se preocupou que a sua filha estivesse em risco de retenção!
São Encarregados de Educação atentos como esta mãe, que a Ministra deu a excelente oportunidade de avaliar os docentes da sua filha e que explicam como se elege uma foragida Presidente de Câmara.
A Encarregada de Educação assustada por ter recebido mais uma carta registada da escola, passou pela Escola, quando lhe apeteceu e não na data da reunião para que tinha sido convocada. A Senhora chegou à escola e a Auxiliar da acção Educativa que estava na portaria perguntou-lhe qual era a turma da filha ou o nome da Directora de Turma. A Senhora disse que só sabia que a filha andava no oitavo ano. A dedicada funcionária perguntou-lhe o nome da filha e ela respondeu-lhe: "Sara". A funcionária foi aos livros de ponto do oitavo ano e não era nenhuma das "Saras" que apareciam nas listas. Depois da Encarregada de Educação ter conseguido a difícil tarefa de dizer o nome completo da filha, a paciente funcionária procurou também em todas as turmas do sétimo ano. Não conseguiu encontrar o nome da jovem!
"Será que a aluna frequentava mesmo aquela escola?" - interrogava-se a funcionária.
Começou então a procurar também nas listas das turmas do nono ano, até que, finalmente, apareceu o nome da dita aluna que frequentava o nono ano! A Encarregada de Educação ficou tão contente por descobrir que a sua filha frequentava o nono ano, que já não se preocupou que a sua filha estivesse em risco de retenção!
São Encarregados de Educação atentos como esta mãe, que a Ministra deu a excelente oportunidade de avaliar os docentes da sua filha e que explicam como se elege uma foragida Presidente de Câmara.
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